OLHOS DE COBRA

OLHOS DE COBRA, romance vencedor do Prêmio Saraiva 2014snake-face-eyes-spotted-dangerous-1400x1050

Quem não gosta de experimentar uma fragrância ou um  sabor inédito?

Na Literatura também é assim! As narrativas têm a idade da Terra, no entanto, sempre aparece um escritor ou escritora que traz novos matizes para a arte de bem contar histórias.

Em 2014, o Prêmio Saraiva nos trouxe uma dessas raras oportunidades:  Andreia Fernandes sagra-se vencedora com o romance OLHOS DE COBRA. Andreia Fernandes é polivalente: formada em Física pela PUC-RJ; ela desdobra-e entre ser escritora, dramaturga, coreógrafa, diretora e professora de teatro.

Olhos de Cobra é um romance que desafia. Não é linear. Trata-se de uma trama muito bem engendrada, que – a princípio –  costura os  fragmentos de memórias de Laura, um personagem misterioso, dúbio, que até carece de credibilidade quanto à sua real existência dentro do romance. Pode? Pois, é. Pode! Andreia Fernandes pode! E o faz com maestria. Como pano de fundo, temos o Estado do Rio de Janeiro. Desde as fazendas que margeavam o rio Paraíba do Sul no século XIX aos becos da cidade do Rio de Janeiro, quando ainda era a  capital do Brasil.

Laura é um personagem que exige muita paciência do leitor. Contudo, vale a pena. Olhos de Cobra nos conduz a um instigante jogo de investigação e análise psicológica para – quiçá – tentar saber quem é/foi Laura. Encontraremos Laura em uma enchente diluviana que arrasou decadentes fazendas de café fluminenses. Mais tarde, presa entre os muros insensíveis de um convento. Rebelde, Laura se mistura aos afrodescendentes que resistem nos espaços periféricos da Cidade Maravilhosa. Ela também encontra o amor carnal nas areias das praias que, no futuro, seriam mundialmente conhecidas. E, quando parece que tudo vai ser esclarecido, as águas turvas do Paraíba do Sul parecem nos arrastar rumo à improbabilidade. Através de um caderno centenário, com anotações de uma menina que viveu em passado distante (Laura?), somos reconduzidos ao século XXI. Tudo volta à estaca zero. O narrador-personagem Laura desaparece e eis que surge Bernardo, um pacato cidadão carioca que será tragado pelos mistérios do enigmático caderno de capa marrom que – talvez – possa decifrar o enigma de Laura.

Olhos de Cobra tem de tudo um pouco: História e estórias, geografia, suspense, amores, drama, e sobretudo, tem a capacidade de – por muitas vezes – nos deixar sem fôlego, como se estivéssemos sendo tragados pelas fortes correntezas do rio Paraíba do Sul.

Não tenha medo de encarar o OLHOS de COBRA…

Mas, talvez, um pouco de medo não nos faça mal perante uma leitura tão ímpar!

 

Antonio Neto

Santa Maria de Jetibá – ES, 31 de Janeiro de 2016.

 

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Sobre antoniopneto

Professor de Língua Portuguesa, contista e cronista.
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