Conceição Evaristo

 

conceição evaristo

A escritora Conceição Evaristo

Meia lágrima

Não,
a água não me escorre
entre os dedos,
tenho as mãos em concha
e no côncavo de minhas palmas
meia gota me basta.

Das lágrimas em meus olhos secos,
basta o meio tom do soluço
para dizer o pranto inteiro. Sei ainda ver com um só olho,
enquanto o outro,
o cisco cerceia
e da visão que me resta
vazo o invisível
e vejo as inesquecíveis sombras
dos que já se foram.

Da língua cortada,
digo tudo,
amasso o silencio
e no farfalhar do meio som
solto o grito do grito do grito
e encontro a fala anterior,
aquela que emudecida,
conservou a voz e os sentidos
nos labirintos da lembrança.

 

CONCEIÇÃO EVARISTO (Maria da Conceição Evaristo de Brito)

Doutora em Letras (Literatura Comparada) – UFF – Universidade Federal Fluminense -(2011). Mestre em Letras – PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1996). Graduada em Letras – Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990). Atua nas áreas de Literatura e Educação, com ênfase, em gênero e etnia. Assessora e consultora em assuntos afro-brasileiros para pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Poetisa, romancista e ensaísta. Parte de sua produção poética aparece em Cadernos Negros, publicação do Grupo Quilombhoje, de São Paulo. Autora dos romances Ponciá Vicêncio e Becos da memória. Antologia poética: Poemas da recordação e outros movimentos; e Antologia de Contos: Insubmissas lágrimas de mulheres. O romance Ponciá Vicêncio tem sido indicado como obra de leitura em vestibulares de universidades brasileiras. Em 2007, foi traduzido para a língua inglesa e está em processo de tradução para a língua francesa.

Fonte: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4796341Z8

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RUAS … DO BRASIL

Crônica de Elizabeth Sunshine, brasileira residente em Corby (UK)

Brasil, país onde nasci, cresci e me despedi. E segui para outros destinos, à procura de segurança e de proteção; só não encontro perfeição, mas sinto paz no coração.

Oh pátria que um dia foi tão amada, hoje tão temida, tão desprezada, não mais a pátria desejada.

Lugar onde eu corria livremente para sentir a brisa no rosto, se tornou um cenário onde corro para não ter o rosto desfigurado.

As praças eram cheias de crianças brincando, hoje resta o vazio, o silêncio, o medo….

Antigamente o zoológico era o ponto turístico muito visitado, hoje em dia os animais andam às soltas, não existem mais jaulas, vagam destemidos, se achando donos dos territórios, passam aterrorizando e matando. O Zoológico sem jaulas fez uma parada na estação Pedro II do Metrô. E os animais mais desprezíveis e nojentos são : Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo do Nascimento Martins, que se divertiram massacrando em local público a sua presa – Luis Carlos Ruas –  um nobre trabalhador que saiu em defesa do próximo, que teve a nobre atitude e coragem que a pouca plateia que ali estava não teve para o ajudar.

Agora esses animais que andavam livremente querem estar numa jaula separadamente para não morrerem.

Que a justiça seja feita, jaula compartilhada com animais do seu patamar. Vocês têm que aprender a viver em sociedade prisional.

Luís Carlos Ruas, que muitas Ruas sejam iluminadas como você foi, a sua atitude foi nobre e te levou para a eternidade. “Se essa Rua fosse minha, eu mandava ela brilhar, com pedrinhas de brilhante só para o meu amor passar…” É isso… Você espalhou pedrinhas para o próximo passar! Descanse em paz, Ruas!

 

 

 

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José Carlos Oliveira: um sábio na Patetocracia

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José Carlos Oliveira ( foto do Arquivo Secult – ES)

Nascido na ilha de Vitória, em 1934, José Carlos  Oliveira foi um  escritor produtivo, corajoso e transgressor (em um momento em que  transgredir era um ato perigoso); tendo escrito para o Jornal do Brasil por mais de 20 anos. Durante os Anos de Chumbo, ele foi uma voz crítica e irônica que ousou, na escrita, encarar a sombra do regime militar.

Depois de décadas de ausência, J. C.  Oliveira retorna à terra natal. Desenvolve na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o projeto Escritor Residente . Ironia do destino, voltou à sua terra para a despedida final. O notável escritor viria a falecer no dia 13 de Abril de 1986.

Pouco conhecido fora dos círculos acadêmicos, José Carlos Oliveira é um autor que faz jus a uma maior divulgação e valorização por parte de capixabas e demais concidadãos brasileiros.

Nessa oportunidade, apenas farei a apresentação desse escritor que deveria dispensar apresentações. Contudo, num país que esquece facilmente os seus filhos mais talentosos, faz-se necessário este nosso esforço.

A obra de José Carlos  Oliveira:

Romances:

O Pavão Desiludido, de 1972;

Terror e Êxtase, de 1978;

Um Novo Animal na Floresta, de 1981;

Domingo, 22, de 1984).

 Coletâneas de crônicas:

Os Olhos Dourados do Ódio, de 1962;

A Revolução das Bonecas, de 1967;

O Saltimbanco Azul, de 1979;

Bravos Companheiros e Fantasmas, de l986.

Diário da Patetocracia (coletânea póstuma organizada por Bernardo de Mendonça), 1995

 

Vale a pena conhecer mais este talentoso escritor.  Recomendo:

http://www.secult.es.gov.br/noticias/22516/encontro-na-biblioteca-lembra-os-30-anos-da-morte-de-jose-carlos-oliveira.html

http://www.graphia.com.br/diversos/diariocrit.php

http://tertuliacapixaba.com.br/index.htm

Depoimentos em vídeo:

Documento audiovisual produzido por Pedro J. Nunes, escritor residente da Biblioteca Pública do Espírito Santo

Agradeço a sua visita!

Antonio Neto

Santa Maria de Jetibá, 27 de novembro de 2016.

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Fernanda Leal e o ensaio fotográfico inspirado na obra Água Viva, de Clarice Lispector

“Que certeza é esta que uma lente fria documenta?” (Bernardo Soares)

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Água Viva, de Clarice Lispector, na lente de Fernanda Leal

Que reação você já teve após a leitura de um livro?

A escola pede fichas de leitura, resumos, resenhas, fichamento e outras exigências.

Fernanda Leal fez um ensaio fotográfico inspirado na leitura de Água Viva, de Clarice Lispector. Explicando: Fernanda é fotógrafa.  Jornalista  e especialista em Fotografia, ela traz uma forma inovadora de apreciação e contribuição na discussão sobre uma obra literária.

Há pouca produção na área; por isso, o trabalho de Fernanda Leal deverá atrair  olhares , admiradores e aprendizes. Se é que isso seja algo que possa ser ensinado. Mas se não puder ser ensinado (e quem ensinará “sensibilidade”?), poderá ser treinado o olhar e aperfeiçoado o trabalho com a câmera fotográfica.  Embora seja, de certo modo, um trabalho inovador, Fernanda Leal não está sozinha gritando no deserto. Em outras frentes, outras mentes focam suas lentes (ou canetas, ou teclados) abordando o assunto. Alik Wunder é uma dessas vozes…

A pesquisadora  Alik Wunder, da  Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), escreveu um interessante artigo intitulado “Uma educação visual por entre Literatura, Fotografia e Filosofia”.  O referido artigo é parte da pesquisa de pós-doutorado de  Alik Wunder. Indispensável para quem aprecia Literatura e Fotografia. E por que não dizer “Literafotografia”? Elas podem se fundir, procriar e gerar novas expressões da Arte; como o fez Fernanda Leal.

Para Alik Wunder, “No campo da pesquisa e das experiências em educação e imagem, a fotografia é pensada de diversas formas: como possibilidade de registro do vivido, em especial em escolas, como narrativa de sentidos e memórias, como afirmação de identidades, como forma de produzir e expressar representações sociais e culturais e, raramente, como criação artística e invenção de mundos…”. Podemos, pois, trazer a fotografia para a esfera da “criação artística”, irmanando-se às outras Artes e (re)inventando nossos acanhados mundos.

Fernanda Leal e Alik Wunder talvez nem se conheçam, mas militam na mesma seara; trazendo-nos reflexões mais aprofundadas sobre a leitura e a fotografia. Ela, a fotógrafa, na prática da fotografia; e a professora, na pesquisa acadêmica. E nós, na apreciação e no estudo. Enriquecendo nossos mundos interiores com as belezas da Literatura e da Fotografia.

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Fernanda Leal, ensaio fotográfico sobre reflexões de leitura de Água Viva, de Clarice Lispector.

 

Para quem quiser pesquisar mais:

Ensaio fotográfico retrata recepção do texto “Água Viva”, de Clarice Lispector

http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Poled/article/view/22532/13065

 

 

Antonio Neto

Santa Maria de Jetibá – ES

04/09/2016

 

 

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TODA A TERNURA DO VALE DO AÇO

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“Belas Bailarinas/Gracious Ballerinas” e “A chuva e o barquinho”, de Marilia Siqueira

Nem só de dureza é feito o Vale do Aço. Em Ipatinga, cidade que cresce em torno da USIMINAS, viceja  – também  – uma efervescente vida cultural. Marília Siqueira Lacerda é uma das escritoras que vivem e atuam nessa região mineira. Marília é versátil e sua poesia dirige-se tanto ao público infantil quanto ao adulto.

Nas obras “Belas Bailarinas / Gracious Ballerinas” e “A Chuva e o Barquinho”, a autora mineira traz às páginas uma poética que se assemelha aos bordados das antigas artesãs das Gerais. Com o  fio da delicadeza, Marilia Siqueira Lacerda vai plasmando leves versos que se condensam em estrofes que trazem o arco-íris aos nossos olhos.

Ilustrado por Rosane Dias, “Belas Bailarinas / Gracious Ballerinas” é um presente para os olhos. A arte gráfica tem a mesma sutiliza dos versos. A edição é bilingue (Português e Inglês), fazendo com que o leitor possa apreciar a obra nos dois idiomas.

“A Chuva e o Barquinho” tem reflexos de infância. Traz à tona aquelas lembranças embaçadas pelo tempo; mas que estão vivas, muito vivas. Ilustrado por João Marcos, a obra também é bilíngue Português/Inglês. Navegar nesse barquinho é preciso, porque sonhar é preciso…

Aliando-se a ilustradores do calibre de Rosane Dias e João Marcos, Marília Siqueira Lacerda criou obras que vão fazer a diferença tanto nas aulas de Língua Portuguesa quanto nas de Inglês. Que os gestores da Educação sejam sensíveis e enriqueçam as suas bibliotecas com essas duas obras que têm a capacidade de encantar crianças que habitam em nós.

 

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” GRACIOUS BALLERINAS”

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“The rain that is little

brings no flood at all!”

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“NIQUIM E FIGENA”, Vencedor do 6º Concurso Nacional de Contos – Ipatinga – MG

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NIQUIM E FIGENA

Niquim era o mais famoso amansador de mulas e cavalos das Minas Gerais. Era um moço negro, de rosto calmo e dono de uma gargalhada que ecoava gostosa naqueles morros, onde se escondiam diamantes e veios de ouro.

Muitas moças queriam subir ao altar com Niquim: moças negras, moças brancas, moças caboclas. Todas encantadas com aquele riso branco, aquela alma quente, aquelas palavras carinhosas que amoleciam até o coração dos animais brutos.

Os anos passavam e Niquim continuava solteiro. Ninguém sabia de onde aquele moço veio, quem eram seus pais, em que lugar ficava a sua casa. Ele aparecia por ali como os redemoinhos aparecem na capoeira. Ia embora sem que ninguém percebesse.

Outonos desfilaram no tempo.  Invernos sucederam invernos. Primaveras encheram as serras de flores.  Verões arderam… E Niquim não envelhecia,nada mudava no seu rosto.

Mas sempre chega um dia que é diferente de todos os outros dias. E esse dia chegou trazendo Figena, uma cabocla bonita de fazer rio parar de correr. Morena feita de bronze, cabelos escorrendo negros pelas costas, sorriso de gente do mato: meio que se escondendo no rosto.

Niquim ficou que nem mula quando empaca. Encontrou Figena no riacho, lavando roupa nas águas que corriam serra abaixo. A espuma que saía das mãos da moça, de quando em quando, liberava bolhas que subiam multicoloridas, translúcidas; indo entregar-se aos galhos das árvores que vigiavam o riacho.

Figena fez que não viu, que não sentiu o calor dos olhos de Niquim. Virou-se e cantou cantigas dos antigos pajés. Esfregou a roupa com mais força, fazendo mais bolhas nascerem de suas mãos. O sol, já cansado, foi se inclinando no céu. Niquim permanecia imóvel, sentado no lajedão.

A morena terminou o trabalho, equilibrou a bacia na cabeça, pôs as mãos na cintura e subiu a parede do lajedo, cantando as lendas aymorés.

As estrelas já se despediam no céu e Figena não conseguia dormir. Niquim era a única imagem que aparecia na parede da visão. Só ele, só ele fez o seu sono fugir. Nos dias que vieram, a fome também afastou-se. Sede não tinha. Só sentia vontade de ver o moço que amansava bicho chucro.

O pai de Figena era homem de mais de cem mil léguas. Pressentiu no vento que era coisa de amor de moça. Vigiou os olhares da filha e adivinhou o motivo da prostração. Ah, não! Filha sua não se casaria com um Zé-Ninguém que não tinha pai nem mãe nem batistério!

Figena ficou sabendo que em poucos dias chagaria o primo Otávio, vindo de Mariana. Viria para o casório. Exatamente assim: casamento com um primo que fazia anos que ela não via. Primo mais velho. Solteirão já de cabelo perdendo a cor.

Se Niquim não existisse, o jeito era se conformar, chorava ela. Mas podia-se ouvir a sua gargalhada máscula ricocheteando pelas pedras.

Dias depois, a família de Figena se aprontou, arrumaram-se carroças e charretes, cavalos e mulas de carga. Era dia de ir à feira de São João Batista do Glória para comprar os preparativos para a festa.

Por dentro, Figena vestiu-se de luto. O véu das lágrimas cobriu-lhe o rosto. A charrete avançava e era como se fosse para o sepultamento de alguém. Seis irmãos de Figena iam na frente, abrindo caminho. Figena e os pais iam no meio, na charrete enfeitada. Na retaguarda, iam seis primos para garantir segurança.

São João Batista do Glória já estava ao alcance da visão. O telhado do casario acenava de longe. Mais uma curva e estariam nos limites da cidade.

Foi muito rápido, ninguém sabe dizer como …Como foi possível!Figena pulou da charrete e correu para abraçar o abismo. Mergulhou no nada…

No mesmo instante -se era visagem ou realidade – ninguém nunca soube afirmar; veio a ventania, nuvem de pó. Depois, o galope de mil cavalos, o barulho dos cascos e os relinchos apavorantes. Cavalos de fumaça densa chegavam de todas as direções e atiravam-se no despenhadeiro. Por fim, num cavalo de luz, chegou Niquim, que também saltou nas profundezas. O abismo encheu-se de fumaça, que demorou horas para dissipar-se…

Niquim e Figena nunca foram encontrados;por dias aquelas encostas foram reviradas, mas nenhum sinal deles foi descoberto. O povo não sabia se acreditava naquela história. Correu a notícia de que Figena estava internada no hospício de Barbacena. Outros diziam que era freira enclausurada num convento da Bahia. Outros diziam que ela tinha virado cigana e corria mundo.Tem gente que garante que os irmãos e os primos de Figena mataram Niquim e o enterraram como indigente.

O primo Otávio casou-se com a filha do governador e tornou-se o homem mais rico das Gerais. E a vida seguiu seu trilho.

O que é verdade, o que é invenção do povo, ninguém sabe dizer. Mas …Conto o que ouvi. E ouvi de um monge daqueles de barba longa, branquinha, vestido de São Francisco.  Parecia uma iluminura!  Olha, vejam bem, é história de monge!! Disse ele, que lá na Serra da Canastra, onde nasce o Velho Chico, vive um casal muito bonito. Ninguém sabe o nome deles, do que vivem, de onde vieram. Os anos passaram e eles ficaram mais jovens, mais formosos. Ciganos de vez em quando se achegam no sítio deles. Levam provisões, manufaturas, o de comer, o de vestir e o de calçar. Cigano é gente que sabe guardar segredo, quando quer. Porém, sempre tem um que fala um cadinho demais e …Deixou escapulir que lá vive um amansador de cavalos que troca as mercadorias por pedras bonitas de fazer rir, pedras que despertam cobiça!!!

Minas Gerais tem seus mistérios, gente encantada que não envelhece nem morre, que nem Niquim e Figena. Nessas serras das Gerais moram muitos enigmas. A Ciência não pode comprovar nem reprovar. É história que o povo conta porque o povo viu. Ou então ouviu alguém contar.

Se alguém tiver dúvida, fizer questão de tirar a prova dos nove, é só se embrenhar nessas veredas, subir essas serras, escalar os lajedões. Quem sabe, dia desses, lá na Serra da Canastra, um repórter moderno ou um recenseador do IBGE não descobre, não alcança um sítio desconhecido. Lá vivem e revivem Niquim e Figena, seus filhos, netos, bisnetos e tetranetos.

Lá, nas Minas Gerais, tudo é lenda, tudo é senda. Senda que vai do sonho para a realidade; da realidade para o sonho. Pode-se perder-se ou achar-se nessas sendas.

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CONTOS DO SOL RENASCENTE: A PROSA ATÁVICA DE ANDRÉ KONDO

Um livro suave…  No entanto, profundo em cada um dos 15 contos que o compõem. 14 destes já foram premiados ou receberam menção honrosa nos mais expressivos certames literários brasileiros. Falo de CONTOS DO SOL RENASCENTE, do premiadíssimo escritor paulista André Kondo.

Descendente de japoneses, André Kondo foi buscar na sabedoria oriental a matéria-prima para condensar as histórias que encantam, convidam à reflexão e  à descoberta de uma cultura distante, mas que se faz entender em cada linha da obra.

Os símbolos mais caros da cultura japonesa são convocados para erguer o memorial do retorno de André Kondo: O hashi, A Katana, A ikebana, O haicai e outros referenciais da Terra do Sol Nascente.  Uma tentativa (bem sucedida!) de resgatar e apresentar ao Ocidente o tesouro cultural dos seus antepassados.

Um saudosismo latente envolve cada conto;  pois no mundo imediatista, competitivo e insensível que nos cerca, as histórias de André Kondo conduzem  o leitor a um passado imemorial, mas que pode ser resgatado através da Literatura, e – por que não? – trazer alento, coragem, resignação ou simplesmente um encantamento que anda ausente.

CONTOS DO SOL RENASCENTE  recebeu Menção Especial – Prêmio Humberto de Campos – UBE – RJ. Muito mais ainda conquistará:  o coração de leitores de hoje e de amanhã.

A escrita atávica de André Kondo tem a força das asas de um Ícaro Pós-Moderno, que consegue unir o horizonte do século XXI às brumas do passado milenar japonês.

André Kondo tem muito ainda por revelar. Muitas outras facetas tem este talentoso escritor que, pouco a pouco, vai grafando o seu nome na memória e no coração de seus leitores.

Mais que um escritor, Kondo é um emissário que traz o passado até nós, e nos leva a sentir o toque dos tempos que nos precederam.

Seria muito edificante, que  cada biblioteca escolar contasse com – pelo menos – um exemplar de  CONTOS DO SOL RENASCENTE.  Já que somos um país multicultural, todas as matrizes que compõem a nossa Pátria devem ser reconhecidas como formadoras da nossa cultura.

Arigatô, André Kondo!

 

 

Antonio Neto

Santa Maria de Jetibá – ES, 08 de Março de 2016.

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